Chama-se "negociação
suplementar" e é a forma legal de obrigar um governante a negociar. O
contra-ataque inclui também mais uma onda de protestos.
Parecia que o
Ministério tinha dado um 'KO técnico' aos sindicatos sobre o novo estatuto
da carreira. Em pleno feriado, a ministra convocou os jornalistas e garantiu
que o processo negocial terminara por decisão unilateral e que as novas
regras da carreira dos professores seriam aplicadas já a partir de Janeiro.
Mas foi sol de pouca
dura. Os sindicatos responderam, ressuscitando uma norma de 1998 que admite
procedimentos excepcionais para obrigar o Governo a manter processos
negociais.
Com uma agravante
adicional: o diploma exige que as negociações passem a ser conduzidas pelo
titular da pasta. E, neste quadro, a ministra da Educação poderá ser chamada
- pela primeira vez neste processo - a sentar-se à mesa com os
representantes dos professores para discutir estatutos e carreiras.
Uma segunda
consequência deste episódio será o atraso dos planos oficiais. Com o
projecto condenado a manter-se em negociações, não poderá dar entrada em
Conselho de Ministros e muito menos iniciar o processo de regulamentação.
Contas feitas, dificilmente o estatuto pode entrar em vigor em 2007.
O incidente serviu
ainda de pretexto para que os sindicatos redobrassem as críticas e ganhassem
novo balanço. Depois de duas greves e outras tantas manifestações nacionais
- convocadas em nome da contestação ao estatuto - os representantes dos
professores mostram-se dispostos a muito mais.
Mário Nogueira,
porta-voz da Plataforma Sindical, lamenta a "surdez completa" em que
alegadamente se traduziram os quatro meses de conversas com o Ministério,
para concluir que "o desacordo tinha de acontecer".
O sindicalista
assume que "há um enorme descontentamento na classe" e que todos os dias
"surgem inúmeras propostas de luta, desde greves por concelho, por grupo
disciplinar ou até mesmo de fome".
A agenda dos
protestos ainda não está encerrada. Os professores estarão solidários na
greve geral da Administração Pública da próxima semana e já admitem outro
período de contestação, entre 13 e 17 de Novembro.
As acções ainda não
estão totalmente definidas, mas podem passar por protestos diários, vigílias
junto do Ministério, abaixo-assinados e formação de cordões humanos. Uma
semana inteira de protestos para mostrar que "a luta está para continuar".
Expresso, 4/11/2006