Sindicatos e partidos políticos reunidos em
comissão parlamentar de Educação
PS pede maior
"maleabilidade" ao Governo na revisão do Estatuto de Carreira Docente
O deputado socialista Luís
Fagundes Duarte criticou hoje a quota estabelecida pelo Ministério da
Educação que impede dois terços dos professores de aceder à segunda
categoria da carreira, defendendo uma maior "maleabilidade" do Governo nesta
matéria.
A comissão parlamentar de
Educação, Ciência e Cultura recebeu hoje a plataforma reivindicativa
constituída pelos 14 sindicatos de professores, que criticaram duramente a
proposta de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) que a tutela quer
aplicar já a partir de 1 de Janeiro.
"Concordo com os sindicatos
em relação à questão dos dois terços e considero que, provavelmente, essa
não será a melhor maneira. Achamos que aí devia haver alguma maleabilidade",
afirmou Fagundes Duarte.
Ressalvando que nem todos
devem poder chegar à segunda e mais elevada das duas categorias que o
Ministério da Educação quer criar, o deputado socialista criticou a quota
definida pelo Governo, que limita a um terço o número de docentes que podem
aceder a professores titulares.
A introdução de quotas para
progressão na carreira foi, aliás, alvo de críticas por parte de toda a
oposição, que defendeu que o mérito dos professores deve ser avaliado sem
serem impostas, à partida, restrições para a atribuição das classificações
mais elevadas como "Excelente" e "Muito Bom" e obstáculos à subida na
profissão.
"Se o processo de avaliação
for rigoroso, a filtragem necessária é feita, sem ser preciso impor quotas.
O sistema de quotas implica, desde logo, admitir a falência da avaliação",
criticou o deputado do PSD Emídio Guerreiro.
No entanto, mais do que o
conteúdo do novo Estatuto de Carreira Docente (ECD), as bancadas da oposição
criticaram hoje na Assembleia da República a forma como o Ministério da
Educação e o Governo têm apresentado o diploma, desvalorizando a profissão
de professor e degradando junto da opinião pública a imagem dos docentes.
"Preocupa muito o PSD o
permanente lançar de suspeitas sobre esta classe profissional que está a ser
feito pelo Governo e pelo ministério há quase dois anos. Não nos revemos
nesta forma de actuar, que é quase uma forma de chantagear os professores, e
não podemos pactuar com este estilo e com estas metodologias", censurou o
deputado social-democrata.
As críticas mais duras
vieram, contudo, do PCP, com a deputada Luísa Mesquita a acusar o Governo e
a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, de "não estarem
minimamente preocupados com a qualidade do ensino, mas apenas com a redução
do dinheiro que se gasta na Educação".
"O que se trata aqui é da
destruição da Educação. O Governo e o ministério agem com arrogância,
intolerância e suspeição generalizada sobre os professores", acusou,
criticando "a propaganda e campanha jornalística que está a ser feita contra
os trabalhadores portugueses".
Na comissão parlamentar, o
secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e porta-voz
da plataforma reivindicativa, Paulo Sucena, criticou as principais propostas
da tutela relativamente ao estatuto como o exame de ingresso na profissão, a
divisão da carreira em duas categorias e a introdução de quotas para aceder
à mais elevada.
"Antes de fazer a
avaliação, o ministério diz a priori que dois terços dos professores não
merecem chegar a professores titulares, o que significa que vão parar a meio
da carreira, perdendo cerca de mil euros por mês", salientou, criticando o
"clima de intransigência" que diz ter sido imposto pela tutela.
Refutando o argumento do
Governo de que nem todos os militares chegam a generais, Paulo Sucena alegou
que "todos podem, pelo menos, chegar a majores e que não permaneceriam na
carreira se soubessem que nunca iam passar de alferes". "Não me venham com a
conversa dos generais. É evidente que nem todos os militares chegam a
generais, mas também nenhum professor ganha 5000 euros por mês como um
general. Um assistente universitário com 23 ou 24 anos ganha mais do que um
professor com 19 anos de carreira. O que está em causa é a profunda
desvalorização da carreira docente", sublinhou o dirigente sindical.
A plataforma reivindicativa
vai accionar amanhã a negociação suplementar relativa à revisão do ECD,
tendo já agendados novos protestos, entre os quais uma vigília de 49 horas
seguidas frente ao Ministério da Educação, entre as 11h00 de dia 15 e as
12h00 de dia 17.
O novo ECD já motivou duas
greves nacionais e duas manifestações, a última das quais a 5 de Outubro,
Dia Mundial do Professor, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes.
07.11.2006 - 17h32 Lusa