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As
organizações sindicais entregaram hoje ao secretário de
Estado Adjunto e da Educação o pedido de negociação
suplementar, depois de ter terminado na semana passada o
período regular, iniciado no final de Maio, no qual os
professo res acusaram a tutela de «intransigência e
inflexibilidade».
«Temos
esperança que o ME perceba que está cada vez mais
isolado, até do ponto de vista político e mesmo do seu
partido. Não vejo que a negociação suplementar possa
levar o Ministério a mudar radicalmente a sua proposta,
mas pelo menos que o leve a rever alguns pontos», disse
Mário Nogueira, porta-voz da plataforma que reúne os 14
sindicatos do sector.
Para a
plataforma, este período suplementar «reveste-se de
grande importância» porque poderá gerar «uma etapa de
procura de consensos e um afrouxamento das tensões
existentes entre o Governo e as organizações sindicais».
No
entanto, caso a tutela mantenha uma posição de
inflexibilidade neste período, os sindicatos advertem
que vai aumentar «o clima de intensa e agressiva
conflitualidade entre as partes, promovido pelo poder
político».
«Privilegiamos sempre a negociação, mas obviamente não
negligenciamos a parte da luta e dos protestos», avisou
o dirigente sindical.
Na
primeira reunião do período de negociação suplementar,
que a legislação prevê que seja presidido pela própria
ministra, os sindicatos voltam a estar distribuídos por
quatro mesas negociais, no mesmo dia em que decorre à
porta do ME uma vigília de protesto, entre as 11h00 do
dia 15 e as 12h00 do dia 17.
As
organizações sindicais que integram a plataforma
reivindicativa reún em na próxima terça-feira para
preparar o período de negociação suplementar, que, de
acordo com a lei, terá de decorrer ao longo de 15 dias.
A
divisão da carreira em duas categorias (professor e
professor titular) e a introdução de quotas para aceder
à segunda e mais elevada são os aspectos mais
contestados pelos docentes, assim como a avaliação de
desempenho dependente de critérios como os resultados
escolares e as taxas de abandono dos alunos.
Além da
vigília, os sindicatos vão ainda promover no dia 17 um
Plenário Nacional de Professores e Educadores, seguido
de um cordão humano até ao ME, on de será entregue um
abaixo-assinado com cerca de 60 mil assinaturas.
A
plataforma sindical volta a reunir dia 23 de Novembro,
para avaliar o processo de negociação suplementar e para
aprovar novas lutas e protestos.
O novo
ECD já motivou duas greves nacionais e duas
manifestações, a última das quais a 5 de Outubro, Dia
Mundial do Professor, que reuniu em Lisboa mais de 20
mil docentes.
Diário
Digital / Lusa
08-11-2006 20:03:00
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