Ao
contrário do anúncio feito pelo Ministério da Educação (ME), de que as
negociações com as organizações sindicais sobre o novo Estatuto da Carreira
Docente (ECD) estavam concluídas, a verdade é que elas irão continuar e,
desta feita, presididas pela própria titular da pasta. Ontem, a Plataforma
Sindical
dos Professores
decidiu avançar com o pedido de um período de negociação suplementar, que
está previsto na lei, e com novas forma de luta.
Foi uma reunião
longa a que reuniu, ontem, em Lisboa, uma vez mais, as 14 organizações
sindicais que participam na Plataforma Sindical dos Professores. No final do
encontro, não só era mais do que certo que os professores iriam exigir o
direito, consagrado por lei, de convocar o ME para um período negocial
suplementar, como iriam continuar a luta nas ruas, sem, desta vez, recorrer
à greve.
Mário Nogueira,
porta-voz da plataforma sindical, disse ao JN que não está prevista a
realização de uma greve especificamente dirigida - como as duas últimas -
para a contestação à proposta de um novo ECD.
"Os professores
serão abrangidos pela greve da Administração Pública, nos próximos dias 9 e
10, mas não será um momento de luta exclusivo relacionado com o estatuto",
salientou.
Assim, amanhã, pelas
16 horas, cada uma das 14 organizações sindicais irá entregar ao ME, em
mãos, o pedido de organização de um período de negociação suplementar. De
acordo com a lei (ler caixa), ao ser solicitada, torna-se obrigatória e a
sua duração poderá chegar aos 15 dias.
Docentes não desistem
Hoje, o protesto dos
docentes prossegue, desta feita na Assembleia da República. Ali, pelas 12
horas, a Plataforma irá reunir-se com a Comissão de Educação, Ciência e
Cultura. Ao longo do dia, os representantes dos professores terão, ainda,
encontro com os grupos parlamentares, onde irão expor as razões por que não
aceitam a proposta de ECD do ME.
Na próxima semana,
os protestos sairão mais uma vez às ruas da capital. Assim, às 11 horas do
dia 15, os professores irão iniciar uma vigília na Avenida 5 de Outubro,
frente às instalações do Ministério.
"Vai ser uma vigília
para ser cumprida ininterruptamente até às 12 horas do dia 17", revelou
Mário Nogueira.
No último dia da
vigília, pelas 14,30 horas, os professores participam num plenário nacional,
que deverá decorrer no Parque Eduardo VII, em Lisboa. Mais tarde, pelas
16,30 horas, os participantes organizam um cordão humano que se estenderá
até às portas do ME. Ali, pelas 17 horas, será entregue um abaixo-assinado,
que neste momento circula pelas escolas, contra a proposta de ECD da tutela.
No dia 22, em todos
os concelhos do país, os professores irão distribuir à população um
comunicado dando conta dos motivos dos seus protestos.
A Plataforma
reunirá, novamente, no dia 23, para debater os resultados alcançados durante
o período negocial suplementar.
Negociação suplementar
Ponto 1 - "Terminado
o período de negociação sem que tenha havido acordo poderá abrir-se uma
negociação suplementar, a pedido das associações sindicais (...)"
Obrigatoriedade
Ponto 3 - "A
negociação suplementar (...) é obrigatória, não podendo a sua duração
exceder 15 dias úteis (...)"
Quem
preside
Ponto 4 - "(...)a
parte governamental será constituída por membro ou membros do Governo, sendo
obrigatoriamente presidida (...) pelo que for responsável pelo sector".
JN 07/11/06
FONTE: LUSA