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Após 49 horas seguidas de Vigília à porta do ME, acção
que decorreu entre as 11h00 do dia 15 e as 12h00 do dia
17 de Novembro, teve lugar no Parque Eduardo VII, junto
ao pavilhão Carlos Lopes, um grande plenário de
educadores e professores, que registou intervenções de
membros das organizações da Plataforma Sindical Docente.
Marcado
por um ambiente de firmeza e determinação e também de
confiança, o plenário reafirmou o apelo à unidade e à
convergência dos educadores e professores neste momento
especial da luta em defesa da sua identidade
profissional, por um Estatuto digno e valorizador.
Como
sublinharam os dirigentes das organizações sindicais,
a justa luta dos docentes tem suscitado uma crescente
onda de solidariedade de vastos sectores da opinião
pública portuguesa, ao mesmo tempo que a política do ME
e a actuação dos seus dirigentes (ministra e secretários
de Estado) estão cada vez mais isoladas, merecendo mesmo
fortes críticas oriundas de diferentes sectores da
sociedade e de personalidades de referência no panorama
da comunicação, da cultura, da ciência, das artes e da
vida política do País.
Os 2500
professores e dirigentes sindicais presentes no encontro sindical do
Parque Eduardo VII formaram depois um longo cordão
humano de 1750 metros, que enfrentou a chuva e a distância até ao ME,
percorrendo a Av. Fontes Pereira de Melo, seguindo até
ao Saldanha, avançando pela Av. da República, em
direcção à Av. 5 de Outubro. Só quase uma hora depois da
chegada da cabeça do cordão é que o desfile terminava,
envolvendo o edifício do Ministério e ocupando a placa
central da avenida frente ao ME.
"Categoria só há uma,
professor e mais nenhuma" - foi uma das várias palavras
de ordem ouvidas durante o cortejo e depois na
concentração na 5 de Outubro, onde uma delegação
sindical entregou as mais de 65 000 assinaturas, em
audiência concedida pelo Secretário de Estado Adjunto e
da Educação.
Depois da maior manifestação de professores
até hoje realizada em Portugal (Marcha de 5 de Outubro)
e depois da maior greve de sempre da classe (17 e 18 de
Outubro), os educadores e professores portugueses,
revelando nova e inequívoca mensagem de rejeição da
política do ME, deram vida ao maior Abaixo-Assinado que
o País já conheceu em contexto de acção sindical,
recolhendo mais de 65 000 assinaturas num documento que
exige verdadeira negociação e repudia qualquer tipo de
chantagem sobre os docentes e as suas organizações.
"Mais de 65 000 professores expressaram o seu desacordo
com uma proposta de Estatuto que representa a liquidação
da profissão docente e a degradação das condições de
trabalho e da dignidade dos professores. Esperamos que
contribua para que o ministério altere as suas
posições", afirmou Mário Nogueira, momentos antes de
entrar no ME com a delegação sindical que entregou as
sete caixas com o Abaixo-Assinado. |